Imigrante ilegal que trabalhou 5 anos em empresa de Trump conta que era humilhada

Imigrante ilegal que trabalhou 5 anos em empresa de Trump conta que era humilhada

Ela foi uma das convidadas de um congressista para assistir ao discurso do presidente no Capitólio.

WASHINGTON, DC – Dentre os muitos convidados que lotaram o Capitólio durante o discurso de “State of Union”, do presidente Donald Trump, estava a mulher que durante cinco anos trabalhou em uma das empresas do presidente, limpando quartos, apartamentos e banheiros.

Victorina Morales, que estava em situação irregular no país, disse que gostaria de poder dar voz a todos os imigrantes em condição clandestina que não têm coragem de se pronunciar sobre sua dura realidade.

“Se eu pudesse falar com ele, eu lhe diria que nós queremos uma reforma da imigração para nós, os imigrados que estamos aqui. Somos 12 milhões e viemos trabalhar, lutar. Não viemos invadir este país”, disse ela à Agencia France Press.

“Não falo apenas por mim, falo por todos os outros. E tenho fé. Vão nos ouvir”, acrescenta ela, com a voz embargada pela emoção.

“Eu também tenho medo de que os serviços de imigração possam chegar, medo de que me expulsem, mas agora não. Agora, tenho esta confiança, porque estão me ouvindo”, afirmou.

Depois de chegar aos Estados Unidos de forma clandestina em 1999, vinda da Guatemala, Victorina deu um grande salto em dezembro passado. Ela trabalhava há cinco anos no clube de golfe Trump em Bedminster, em Nova Jersey, quando decidiu contar sua história ao jornal “The New York Times”. Ela deixou o emprego, e vários funcionários na mesma condição foram demitidos.

Apesar de todos os riscos, ela resolveu contar a história dela por conta da discriminação, dos insultos e da humilhação, que segundo ela, sofre nos Estados Unidos por ser imigrante.

Victorina com os filhos. (Reprodução)

“Eu cansei dos insultos, das agressões, das inúmeras humilhações. É doloroso que digam pra você que você é um imigrante que não sabe nada, que aqui você não pode reclamar, ou vão chamar os serviços de imigração”, contou ela sobre seus empregadores.

Victorina não sabe se Trump, de quem ela fazia as camas, limpava os apartamentos e às vezes ganhava generosas gorjetas, estava a par desses fatos.

“Mas um dia eu me disse ‘chega, não aguento mais’”, acrescentou, enquanto a representante Bonnie Watson Coleman a segurava pela mão, em seu gabinete no Congresso americano.

A representante democrata considerou que Victorina Morales não corre o risco de ser expulsa dos EUA, porque apresentou um pedido de asilo. E, neste caso específico, todos os funcionários na mesma condição são “testemunhas materiais” contra a Trump Organization, enquanto os democratas exigem uma investigação dos fatos.

Para a congressista, se os serviços de imigração tentarem expulsar a guatemalteca, será uma medida configurada como “represália”.

Redação
ADMINISTRATOR
PROFILE

Carousel

Deixe um comentário

Seu email não será compartilhado em nenhuma hipótese! Algumas areas serão necessárias preenchimento *

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of

Últimos

Autores

Videos

English EN French FR German DE Italian IT Portuguese PT Spanish ES